domingo, 19 de setembro de 2010

O Tempo, O Espaço e o Homem do Piano

Porque é que quando abandonamos uma coisa ou uma pessoa,ou quando a coisa ou a pessoa nos abandona,continuamos a vê-la durante anos e anos como era no momento da separação?Por que motivo a nossa fantasia se recusa a acreditar que o homem envelhece,a cidade se transforma,a paisagem se renova e o cadaver se decompõe?
A fantasia não se sujeita a acompanhar a metamorfose das coisas longínquas que ainda amamos.
Se soubssemos imaginar a transformação das coisas distantes no espaço,não nos esporíamos tão frequentemente à desilusão do regresso e, em vez de voltarmos,era preferível sofrer desse esquesito mal que é a saudade.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O Amor o Sono a Loucura e a Morte



O SONO, a loucura, não dão ideia da morte. O amor, sim. O estremecimento de todos os nervos, a aceleração do ritmo cardíaco, o esquecimento da consciência, não são mais que uma rápida agonia. No momento em que a gente se projecta para fora de si mesmo morre-se um pouco; faz-se uma excursão momentânea à morte, que parece mais bela porque se morre a dois voltando-se à vida

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

a ironia e o homem do piano

A IRONIA é uma arte difícil. Ou é demasiado leve, e não se compreende, ou é demasiado pesada e cai esma­gando os cascos de quem a faz. A ironia é mais difícil de dosear que os vernizes, as gelatinas e as colas.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

O Homem do Piano e as Estrelas...

Se as estrelas pudessem ser interrogadas perguntar-lhes-ia se os poetas e os astrónomos não as importunam demasiado.

domingo, 5 de setembro de 2010

O Mundo

Tudo é possivel nesta podridão esférica que gira com burocratica constância em torno do Sol.