quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O Amor e o Homem que roubou o piano...

O AMOR é devido, não à forma, mas à substância:
o amor é atracção física, afinidade química de dois organismos. A beleza em nada influi. A juventude não influi em nada. O espírito, o talento, a elegância, a honestidade, a traição não têm a mínima parte no magnetismo animal que faz um corpo sentir a necessidade de se completar com outro. Quando um homem e uma mulher, tendo-se encontrado num ponto do espaço, experimentam a necessidade imperiosa (digo necessidade imperiosa e não desejo distraído) de se unirem, isso quer dizer que no corpo «daquela» mulher existe um substância, a matéria,o produto químico que, com implacável ânsia, procura a substância, a matéria encerrada no corpo «daquele» homem.
Nem de outro modo se explicaria o desejo de certas mulheres belas por homens que todos, a começar por elas, acham horríveis, nem de outro modo se explicaria o amor doido de certos homens por mulheres feias ou gastas.
O amor eterno, isto é, a inextricável urdidura de uma vida em torno de outra vida, é o produto do encontro de um corpo em cujos tecidos existem aqueles metais e metalóldes que têm afinidade química pelos metais e metalóides que têm afinidade quimica pelos metais e metaloides de um determinado corpo do sexo oposto.
(Esta expressão fará rir os farmacêuticos, mas eu não me importo)
Os homens e as mulheres que se amam com um amor assim tenaz. podem, é verdade, praticar infidelidades com relação uns aos outros. Mas a aventura não é o amor; a cópula ocasional deixa intacta a paixão constante. Pode-se amar desesperadamente um homem e ir humedecer os lençóis de outro. A aventura não é mais que uma espécie um pouco refinada de masturbação, depois da qual, ainda que os sentidos tenham ficado extenuados, permanece inalterada a paixão da mulher pelo indivíduo que emulsionou estavelmente a própria vida com a sua vida.

domingo, 19 de setembro de 2010

O Tempo, O Espaço e o Homem do Piano

Porque é que quando abandonamos uma coisa ou uma pessoa,ou quando a coisa ou a pessoa nos abandona,continuamos a vê-la durante anos e anos como era no momento da separação?Por que motivo a nossa fantasia se recusa a acreditar que o homem envelhece,a cidade se transforma,a paisagem se renova e o cadaver se decompõe?
A fantasia não se sujeita a acompanhar a metamorfose das coisas longínquas que ainda amamos.
Se soubssemos imaginar a transformação das coisas distantes no espaço,não nos esporíamos tão frequentemente à desilusão do regresso e, em vez de voltarmos,era preferível sofrer desse esquesito mal que é a saudade.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O Amor o Sono a Loucura e a Morte



O SONO, a loucura, não dão ideia da morte. O amor, sim. O estremecimento de todos os nervos, a aceleração do ritmo cardíaco, o esquecimento da consciência, não são mais que uma rápida agonia. No momento em que a gente se projecta para fora de si mesmo morre-se um pouco; faz-se uma excursão momentânea à morte, que parece mais bela porque se morre a dois voltando-se à vida

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

a ironia e o homem do piano

A IRONIA é uma arte difícil. Ou é demasiado leve, e não se compreende, ou é demasiado pesada e cai esma­gando os cascos de quem a faz. A ironia é mais difícil de dosear que os vernizes, as gelatinas e as colas.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

O Homem do Piano e as Estrelas...

Se as estrelas pudessem ser interrogadas perguntar-lhes-ia se os poetas e os astrónomos não as importunam demasiado.

domingo, 5 de setembro de 2010

O Mundo

Tudo é possivel nesta podridão esférica que gira com burocratica constância em torno do Sol.